terça-feira, 25 de Setembro de 2007

O Circuito Económico

7.1 - O CIRCUITO ECONÓMICO


7.1.1 – OS AGENTES ECONÓMICOS E AS SUAS FUNÇÕES
• A ACTIVIDADE ECONÓMICA é o conjunto de tarefas cujo objectivo é assegurar a existência de uma população.

PRODUÇÃO
DISTRIBUIÇÃO
CONSUMO
REPARTIÇÃO
ACUMULAÇÃO

• É um PROCESSO
PERMANENTE
CONTÍNUO
CIRCULAR

• Estas funções são desempenhadas pelos indivíduos numa sociedade, que podem cada um desempenhar uma ou mais funções – AGENTES ECONÓMICOS.

• Agregando todos os indivíduos que desempenham a mesma função, consideram-se:



PLÁTANO EDITORA - MANUAL 11º ANO

7.2.2 – FLUXOS REAIS e FLUXOS MONETÀRIOS
• Entre os agentes estabelecem-se relações que são representadas por FLUXOS.
• Os FLUXOS podem ser:
o REAIS: representam as entregas dos bens e serviços entre agentes.
o MONETÁRIOS: os valores em moeda dessas entregas e recebimentos.

7.3.3 - CIRCUITO ECONÓMICO

• As relações entre os agentes representam-se graficamente, de uma forma simplificada, através do CIRCUITO ECONÓMICO.

7.1 - EQUILÍBRIO ENTRE RECURSOS E EMPREGOS

• O CIRCUITO ECONÓMICO permite analisar:
o a participação de cada agente no valor do PRODUTO do país;
o a repartição dos rendimentos – SALÁRIO, RENDAS, JUROS e LUCROS.
o a utilização dada ao produto criado – CONSUMO e INVESTIMENTO.
• Cada agente económico recebe dos outros agentes receitas com as quais efectua as despesas necessária à sua função.
• Para melhor analisar a situação de cada agente utiliza-se o SISTEMA de CONTAS.
• Em cada conta (ou T) registam-se do lado esquerdo os EMPREGOS e do lado direito os RECURSOS.
• Cada conta deve ser saldada, ou seja, os dois lados deverão dar o mesmo valor.
• No caso do valor dos empregos ser menor que o dos recursos, o agente tem capacidade de financiamento, ou seja há POUPANÇA.
• No caso do valor dos empregos ser maior que o dos recursos, o agente tem necessidade de financiamento.
• O EQUILÍBRIO ECONÓMICO significa que há igualdade entre os recursos e os empregos em cada agente e no conjunto da economia.
• Portanto, num circuito simplificado (Famílias, empresas):
o O valor dos bens produzidos pelas empresas é igual ao valor das despesas de consumo das famílias: PRODUTO = CONSUMO
• As receitas obtidas pelas empresas correspondem aos rendimentos distribuidos, portanto: CONSUMO = RENDIMENTO
• Conclusão: PRODUTO = CONSUMO = RENDIMENTO
“Podemos dizer que a economia funciona como se de três economia se tratasse, vivendo portanto ao ritmo de uma valsa em três tempos: PRODUZIR, REPARTIR, DESPENDER.

PLÁTANO EDITORA – MANUAL 11º ANO



EXERCÍCIO 1(PLÁTANO EDITORA – MANUAL 11º ANO)

• As empresas não financeiras constituíram depósitos no valor de 120€ e receberam juros no valor de 10€ pelos empréstimos contraídos no valor de 100€.
• As instituições financeiras pagaram ao Estado 20€ de IRS e concederam um empréstimo de 210€ ao Estado.
• As famílias aplicaram as suas poupanças no valor de 300€ e receberam de juros 20€.
• As empresas financeiras concederam um empréstimo externo de 80€.
• As famílias receberam vencimentos no valor de 200€ e ordenados no valor de 100€.
• O Estado concedeu de subsídios às famílias 100€ e recebeu de impostos 20€ das famílias e 20€ das empresas.
• As empresas não financeiras distribuíram lucros pelas famílias no valor de 20€.
• O Estado efectuou compras às empresas não financeiras no valor de 50€ e as famílias no valor de 20€.
• O país importou 100€ e exportou o mesmo valor.

RESOLUÇÃO:


7.1 - O CIRCUITO ECONÓMICO

O equilíbrio no sistema económico

Existirá, no nosso sistema simplificado, equilíbrio entre as produções, as despesas e os rendimentos. Não há produção em excesso em relação às possibilidades de gasto, como não há também produções efectivas para além das capacidades de produção facultadas às empresas pêlos membros da comunidade, como não há gastos diferentes do rendimento.
Mas daí se tiram logo algumas conclusões importantes, apesar da simpli¬cidade do esquema teórico em que se baseiam.
Por exemplo: não estarão a ser inconsequentes, muitas vezes, os nossos industriais, quando pagam baixíssimos salários e se queixam de que não encontram quem compre os seus produtos porque o mercado é restrito?
Outro exemplo: se há uma relação entre as possibilidades de consumo das famílias e a sua capacidade para prestar serviços (o que quer dizer, o ren¬dimento aplica-se em despesa, origina-se na produção ou produto), fica muito esclarecido o problema do baixo nível médio de vida e de consumos em uns países, quando os confrontamos com outros - terão fraca produti¬vidade 05 trabalhadores desses países, seja por falta de qualificações pes¬soais (analfabetos, sem instrução profissional, sem saúde) seja por má direcção nas empresas, seja por carência e defeitos das máquinas de que dispõe, etc.

F. Pereira de Moura, Lições de Economia

A complementaridade das relações económicas
O estudo das relações económicas entre os agentes pode começar por uma análise da complementaridade das relações económicas mais simples:
- a produção, cujo objectivo é, para além da criação de bens e servi¬ços, permitir um rendimento
para as agentes;
- a repartição dos rendimentos entre Famílias, Empresas e Estado;
- a utilização do rendimento, quer em consumo, quer em poupança.

1. NOÇÃO de CONTABILIDADE NACIONAL

Técnica de síntese estatística que tem por objecto
uma representação quantificada e coerente
da actividade económica de um país.

Ou

Conjunto de operações que se executam no sentido de apurar o valor de certas grandezas económicas e sociais.

Para que serve?
• Descrever quantitativamente a actividade económica;
• Avaliar o percurso da economia;
• Dar informações ao Governo para a definição de políticas económicas;
• Medir o bem-estar da população.

“Para compreendermos e eventualmente criticar a informação económica actual é cada vez mais necessário conhecer o conteúdo concreto dos conceitos utilizados (o que é o PIB?), como se articulam entre si (o que distingue o PNB do RD do país?) e até que ponto os valores de um ou mais agregados podem ser explicados pelo comportamento de outro (quais os efeitos de uma redução nas taxas de juro sobre os níveis do investimento e do consumo das famílias?) ”.

Portugal adoptou o Sistema Europeu de Contas (SEC) em 1986.


2. CONCEITOS NECESSÁRIOS À CONTABILIDADE NACIONAL

• SECTORES INSTITUCIONAIS

A representação dos inúmeros actos económicos realizados num dado período, (um ano), por milhões de centros de decisão só é possível se: ACTOS ECONÓMICOS e CENTROS DE DECISÃO se classificarem e agregarem em função de ASPECTOS RELEVANTES PARA A ANÁLISE E PREVISÃO ECONÓMICA.

CRITÉRIO FUNCIONAL

Agrupa os centros de decisão atendendo ao processo ou função económica desempenhada.
Famílias - consumir
Estado – satisfação necessidades colectivas
Instituições Financeiras – prestação de serviços financeiros
Empresa. Não financeiras – produzir e prestar serviços
Resto do mundo – assegurar fornecimentos e escoar excedentes


CRITÉRIO INSTITUCIONAL

Agrupa segundo objectivo e comportamento económico em sectores institucionais.
Famílias - consumo
Adm. Pública – produção de bens e serviços não mercantis
Sociedades Financeiras – intermediação financeira
Sociedades. Não financeiras – produção de bens e serviços mercantis
ISFLSF – fornecimento de bens e serviços gratuitos
Resto do Mundo Adaptação de: Dr. IVO FRANCISCO – Compreender a Contabilidade Nacional

• UNIDADE INSTITUCIONAL: é uma unidade de produção que goza de capacidade de decisão autónoma no exercício da sua função principal.

• SECTOR INSTITUCIONAL: conjunto de unidades institucionais de comportamento autónomo semelhante.

Exemplo: uma fábrica de bolos é uma unidade institucional, pois a sua função é fazer bolos e obter receitas com a sua venda É ela que decide que bolos produz, quais os ingredientes que utiliza, quem nela trabalha, qual a sua localização. ..


CARACTERIZAÇÃO SECTORES INSTITUCIONAIS (completar com o manual)

- Sociedades (e quase sociedades não financeiras), que também se designam por empresas não financeiras – inclui as unidades não financeiras públicas ou privadas. Assim, por exemplo, uma empresa pertencente ao Estado está incluída neste sector.

- Instituição financeira – instituições de crédito e seguradoras.

- Administrações Públicas – inclui a Administração Central, Local e a Segurança Social.

- ISFLSF – inclui os organismos que têm personalidade jurídica e que prestam serviços não lucrativos, por exemplo, Bombeiros Voluntários, ACPe Misericórdias.

- Famílias – além das famílias também se incluem as empresas familiares em que não há repartição de rendimentos.

- Resto do Mundo -. Países com os quais se estabelecem relações de troca.

• TERRITÓRIO ECONÓMICO/UNIDADE RESIDENTE

TERRITÓRIO ECONÓMICO:

• Espaço delimitado pela fronteira geográfica (terra, mar e ar).
• Enclaves territoriais – embaixadas, consulados, bases militares…
• Outras instituições que o país possui ou que gere noutro país


“Turistas, homens de negócios, artistas, outros especialistas em missão de serviço, membros de tripulação, etc, são unidades residentes no país em que vivem, visto que exercem operações económicas fora do território por um período inferior a um ano. De igual modo, proprietários de terrenos ou edifícios sitos em determinado território são considerados como unidades residentes desse território, apenas para operações relativas à sua qualidade de proprietários desses activos corpóreos.
Os trabalhadores migrantes são considerados unidades residentes, não no país de origem, mas no país onde desempenham a sua actividade profissional, desde que o façam há pelo menos um ano.”
O conceito de residência mede-se pela permanência num país
há mais de um ano.

EXERCÍCIO 1CN

INDIQUE O QUE CONSIDERA PIB E/OU PNB PORTUGUÊS

1. O VA produzido por uma empresa alemã a operar em Portugal.

R: porque a produção foi obtida DENTRO do TERRITÓRIO ECONÓMICO português, o VA contabiliza-se no nosso PIB.
Contribui para o PNB da Alemanha, na parcela em que os lucros irão para esse país remunerar os seus proprietários que aí residem.

2. Lucros dos proprietários de uma empresa belga, residentes nesse país, mas estando a empresa instalada em Portugal.

R: Porque o valor foi obtido dentro do TERRITÓRIO ECONÓMICO português, contabiliza-se no nosso PIB.
Contribui para o PNB da Bélgica, pois os proprietários residem nesse país.

3. VA. Criado por uma sucursal de uma empresa portuguesa instalada em Espanha.

R: porque o valor NÃO foi obtido DENTRO DO TERRITÓRIO ECONÓMICO português, não se inclui no nosso PIB.

4. Lucros recebidos por investidores portugueses provenientes da actividade da empresa anterior.

R: Contribui para o nosso PNB de Portugal, na parcela em que os lucros virão remunerar os proprietários, porque é RIQUEZA CRIADA POR RESIDENTES EM PORTUGAL QUE DETÊM CAPITAL NOUTRO PAÍS.

5. Valor criado por um emigrante português, residente em França, há mais de um ano.

R: É PIB francês porque é obtido em França.
É PNB francês pois é obtido por um residente nesse país.

PIB – riqueza criada DENTRO TERRITÓRIO ECONÓMICO.
PNB – riqueza criada PELOS RESIDENTES


• RAMO de ACTIVIDADE

UNIDADE de PRODUÇÃO HOMOGÉNEA:
Unidade que produz bens com características semelhantes = um único produto.

PRODUTO:
Conjunto de bens semelhantes, bens que resultam de processo de fabrico idêntico.

RAMO de ACTIVIDADE:
Conjunto de unidades de produção que produzem o mesmo produto.

“Os sectores institucionais agrupam unidades institucionais que apresentam comportamento similar: mesma função principal e mesmos recursos principais.
Dado que as unidades institucionais podem exercer diversas actividades (por exemplo, uma empresa produtora de automóveis pode ser em simultâneo fabricante de ferramentas), neste caso, as empresas são decompostas em unidades de produção homogéneas, que correspondem a uma actividade (o mesmo produto ou o mesmo grupo de produtos)
O ramo é o agrupamento de todas as unidades de produção homogéneas do território que produzem o mesmo produto. Consequentemente, uma empresa (unidade institucional pode estar parcialmente presente em diferentes ramos de actividade, por intermédio das suas unidades de produção homogéneas. Adaptação de: Dr. IVO FRANCISCO – Compreender a Contabilidade Nacional

3. ÓPTICAS DE CÁLCULO DO VALOR DA PRODUÇÃO

“A C.N. regista fluxos efectuados pelas unidades institucionais resultantes das operações económicas:

• OPERAÇÕES sobre bens e serviços – Criação,
Troca
Utilização de bens.

- Garantem a igualdade entre empregos e recursos;
- Descrevem a origem dos bens e serviços – recursos, e a sua utilização –
empregos.

Considerando que:
Produção + Importação = Cons. Intermédio + Cons. final + Investimento + Exportações
Produção + Importação - Cons. Intermédio = Cons. final + Investimento + Exportações
E sabendo que o produto é igual a:
VALOR da PRODUÇÃO – CONSUMO INTERMÉDIO,
Temos, portanto:
Produto + Importações = Cons. Final + Investimento + Exportação
Produto = Cons. Final + Investimento + Exportação - Importações

• OPERAÇÕES de repartição – distribuição sobre o valor acrescentado pelas unidades residentes.
Os resultados da produção são utilizados para
remunerar os factores de produção nela intervenientes.

Produto = total das remunerações dos factores de produção

• OPERAÇÕES financeiras – permitem compreender a situação financeira das diferentes unidades institucionais, apresentando capacidade de financiamento ou necessidade de financiamento. – Plátano Editora


“A actividade económica de uma sociedade humana é medida através do cálculo do valor da produção de um país, que se pode obter por três ópticas equivalentes:
• Óptica do produto
• Óptica do rendimento
• Óptica da despesa,
Que correspondem às três actividades essenciais de qualquer sistema económico:
• Produção de novos bens e serviços capazes de satisfazerem as necessidades humanas,
• Distribuição do rendimento criado nesse processo produtivo e
• Despesa em novos bens e serviços que se pode realizar com o rendimento
Que conduzem a uma identidade básica da Contabilidade Nacional.

PRODUTO = RENDIMENTO = DESPESA”
Ferreira do Amaral


• ÓPTICA do PRODUTO: O produto é calculado somando o valor acrescentado pelas diferentes empresas agrupadas por natureza e origem.

- Os produtos são contabilizados por ramos de actividade.
- Regista-se APENAS o VALOR ACRESCENTADO de cada ramo.
- O somatório do valor acrescentado dos 49 ramos de actividade dá-nos o valor do produto de um país.

• ÓPTICA do RENDIMENTO: Cálculo a partir dos rendimentos criados durante a produção e distribuídos.

- Representa a repartição funcional do rendimento.
- O VALOR ACRESCENTADO das empresas é distribuído remunerando os factores produtivos.


• ÓPTICA da DESPESA: Cálculo com base nos gastos efectuados com a produção considerando a sua utilização: consumo, investimento, exportação.

- Os bens produzidos podem ser utilizados em: Consumo final
Consumo intermédio
Investimento
Exportações
Deduz-se valor Importações.


EXERCÍCIO 2CN

1. Justifique a utilização da Contabilidade Nacional para aferir o percurso da economia de um país ou região.

2. Explique a razão da inclusão das empresas públicas no sector institucional Sociedades.

3.1 Dê exemplo de uma empresa que produz apenas um produto e de outra que produz dois.

3.2 Como denomina a primeira empresa.

4. Explique a diferença, para a Contabilidade Nacional entre produção e produto de um país.

3 comentários:

Andre disse...

Agradeço que deixem um comentário com qualquer tipo de observações (lapsos, gralhas, etc...), sobre o blog, e que assinem.
Obrigado

Diogo Almeida disse...

Eu acho que a professora e mesmo nice! eu gosto muito da professora! eu sou muito dedicado! eu adoro economia! eu quero aprender muito muito! eu adoro a loja do pao! a professora e mesmo fixe! a professora ensina muito bem!

Obrigado professora por nos ensinar tao bem!

Cumprimentos
Diogo Almeida

Zé Maria disse...

estou com o diogo!